Biblioteca

Ao lado das diversas ciências, a actividade de uma biblioteca, pela sua natureza, ocupou sempre um lugar visível, no domínio da organização do conhecimento. É da relação que detêm com o domínio do conhecimento e das suas formas de organização que as bibliotecas obtêm a sua importância.
Durante os últimos séculos, a proliferação no mundo ocidental de Bibliotecas esteve dependente da emergência das sociedades modernas criadas pela revolução social e intelectual do iluminismo. Antes da industrialização da imprensa, as bibliotecas, por constituírem em si repositórios do conhecimento humano existente a sua importância era directamente proporcional à raridade e pouca acessibilidade desses repositórios. Mais tarde, como agentes indispensáveis da democratização do acesso ao conhecimento, as bibliotecas adoptaram, em complemento ou substituição da organização lógica dessas mesmas colecções, instrumentos de pesquisa (Gusmão,1997).
Hoje, na sociedade contemporânea, marcada por uma revolução tecnológica, a biblioteca leva mais longe o seu papel na democratização do acesso ao conhecimento, assumindo para si mesma um papel fundamental como eixo de inovação, capaz de contribuir para o desenvolvimento das competências necessárias a um cidadão do século XXI, que compreendem, entre outras, não só a capacidade de ler de forma hábil, mas sobretudo crítica, face às milhares de entradas a que podemos ter acesso sobre qualquer assunto através de uma simples pesquisa,num qualquer motor de busca, na world wide web (Ramos, 2015).
A revolução tecnológica a que assistimos nos últimos vinte anos, decorrente da criação e utilização das novas tecnologias, leva, por consequência, à necessidade da biblioteca do século XXI adaptar as suas metodologias às transformações ocorridas a assumir não só a sua dimensão física mas também virtual com a disponibilização online, não só da possibilidade de pesquisa de referências bibliográficas, mas também através da disponibilização de obras cujos direitos se encontram no domínio público(Ramos, 2015).
Uma biblioteca que não se adapta e não cria mecanismos que permitam acompanhar a forma de estar dos “nativos digitais” (Prensky, 2001) é uma estrutura pouco inovadora, incapaz de acompanhar os desafios que o século XXI coloca à sociedade actual e de contribuir para o desenvolvimento das capacidades de cada um dos seus utilizadores em compreender e usar a informação, contidas nos diversos materiais disponíveis, de modo a desenvolver os seus próprios conhecimentos e a ultrapassar a simples compreensão de um texto.
Criar e gerir estas bibliotecas, neste contexto, implica a adopção de práticas de trabalho colaborativo, no sentido da inclusão de referências que possam contribuir para o enriquecimento do acervo da biblioteca mas sobretudo que estejam em linha com a exigência da sociedade de informação do século XXI.
Criar e fidelizar leitores na era actual, a era digital, implica um trabalho conjunto, de modo a que seja possível transformar um grão de mostarda, a menor de todas as sementes, na maior de todas as árvores em cujos ramos os pássaros vem pousar.
Diz a romancista inglesa Virginia Woolf: “no dia em que o dia do juízo amanhecer e os grandes conquistadores e juristas vieram receber as suas recompensas - as suas coroas, os seus louros, os seus nomes gravados indelevelmente no mármore ímperecível -, o Altíssimo se virará para São Pedro e dir-lhe-á, não sem uma certa inveja quando nos vir a aproximarmo-nos com os nossos livros debaixo dos braços: «olha, estes não precisam de recompensa. Não há nada que possamos dar-lhes. Eles já gostam de ler...»”(Lisboa, 1998).
Contamos com o contributo de todos para que seja possível disponibilizar online obras que estejam no domínio público e, apenas, no domínio público, e claro está, obras cujos autores autorizem a sua divulgação através desta plataforma, salvaguardando sempre qualquer questão sobre os direitos das obras e dos seus autores. Num mundo onde a informação circula à velocidade da luz, é importante, que a informação que circula na rede sobre um assunto, por vezes, tão mal tratado, como é a Maçonaria, e por vezes desconhecido, como é o Rito Críptico, seja o mais clara, verdadeira e honesta possível. No fim esta Biblioteca será o que quiserem que seja.
Bibliografia
Armando Nobre de Gusmão, Fernanda Maria Guedes de Campos, José Carlos Garcia Sottomayor, Coord., Regras Portuguesas de Catalogação - I, Lisboa : Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1997.
Eugénio Lisboa, «Bibliotecas...», Ler, Lisboa, 1998.
Marc Presnsky, «Digital natives, digital immigrants.», On the Horizon (MCB University Press, Vol. 9, No. 5, October 2001) [Online]. Retirado de http://www.marcprensky.com/writing/Prensky
Raquel Ramos, Fazer leitores na era digital: o contributo da biblioteca escolar, Lisboa: Rede de Bibliotecas Escolares, 2015.