{"id":4727,"date":"2016-12-18T22:14:35","date_gmt":"2016-12-18T22:14:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.gcmrep.pt\/?p=4727"},"modified":"2023-03-28T22:06:00","modified_gmt":"2023-03-28T22:06:00","slug":"simbolismo-dos-graus-cripticos-o-grau-de-mestre-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.gcmrep.pt\/en\/simbolismo-dos-graus-cripticos-o-grau-de-mestre-real\/","title":{"rendered":"Symbolism of cryptic degrees : the Royal Master&#8217;s degree"},"content":{"rendered":"<h3>Symbolism of cryptic degrees : the Royal Master&#8217;s degree<\/h3>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Nos graus simb\u00f3licos, os Companheiros s\u00e3o confrontados com o relato da perda da Palavra, procuram mas n\u00e3o a encontram. No Cap\u00edtulo, procuram, encontram, mas n\u00e3o entendem o significado do que encontraram. A explica\u00e7\u00e3o de como, efectivamente, a palavra foi preservada, e o que significa, \u00e9 o tema dos graus cr\u00edpticos. No Grau de Mestre Real os Companheiros aprendem que, sejam quais forem as incertezas da vida que para o Ma\u00e7on fiel aos princ\u00edpios da Arte, a recompensa \u00e9 garantida. No grau de Mestre Escolhido aprendem que a Palavra deve ser preservada na ab\u00f3bada secreta da sua alma.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Este grau \u00e9 realizado na C\u00e2mara do Conselho, representando o Santo dos Santos do Templo do rei Salom\u00e3o.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Na primeira sec\u00e7\u00e3o do grau, Hiram Abiff est\u00e1 activo na constru\u00e7\u00e3o do Templo. Na segunda sec\u00e7\u00e3o, Hiram Abiff encontra-se ausente, a constru\u00e7\u00e3o do Templo est\u00e1 perto do t\u00e9rminus, a Arca da Alian\u00e7a est\u00e1 presente e Adoniram \u00e9 investido com a responsabilidade de Mestre Arquitecto.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">No simbolismo deste grau, a recompensa foi prometida e o tempo de a receber chegou. Quer dizer, o Companheiro, que trabalhou para completar o seu templo espiritual, vai ao encontro do Divino Mestre para receber a sua recompensa de modo a que o seu trabalho seja, finalmente, consumado pela aquisi\u00e7\u00e3o da Verdade. Mas o templo que ele estava a construir \u00e9 o templo da vida. E para que este segundo templo possa, de facto, ser constru\u00eddo, \u00e9 preciso que o primeiro seja destru\u00eddo pela morte, sob a qual assentam os alicerces do segundo. No primeiro templo, a Verdade n\u00e3o pode ser encontrada, e temos que nos contentar apenas com uma verdade substituta.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O belo trabalho que o candidato traz, representando uma vida pura e completa, oferecida ao Supremo Arquitecto do Universo \u00e9, imediatamente, seguido por uma advert\u00eancia para permanecer disposto a enfrentar as contrariedades da pr\u00f3pria vida. No devido tempo, receber\u00e1 a sua recompensa. Mas essa recompensa, simbolizada pela entrada no Nono Arco [simbolicamente o Port\u00e3o da Morte Simb\u00f3lica], vir\u00e1 apenas depois da sua vida ter sido conclu\u00edda, ou seja, depois de completar todas as instru\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas da Antiga Arte da Ma\u00e7onaria.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">S\u00e3o 12 horas, \u00e9 meio-dia, anuncia o Gr\u00e3o Mestre Hiram Abiff, momento adequado para deixar os trabalhos e comungar com o Supremo Arquitecto do Universo. Considerado um n\u00famero sagrado na mitologia, o n\u00famero 12, \u00e9 o produto da multiplica\u00e7\u00e3o do tri\u00e2ngulo [3] pelo [4] quadrado. O tri\u00e2ngulo [3] representa os tr\u00eas atributos da divindade, a omnisci\u00eancia, a omnipresen\u00e7a e a omnipot\u00eancia [sabedoria universal, presen\u00e7a e poder] e o quadrado [4] \u00e9 o n\u00famero do mundo. Deus divide os dom\u00ednios do mundo em quatro reinos: a Babil\u00f3nia, a Medo-Persia, a Gr\u00e9cia e Roma. Os materiais que representam o poder mundial na imagem de Nabucodonosor s\u00e3o o ouro, a prata, o bronze e o ferro (Daniel 2). O mundo tem quatro esta\u00e7\u00f5es: a primavera, o ver\u00e3o, o outono e o inverno. Tem quatro cantos: leste, oeste, norte e sul (N\u00fameros 2). Tem quatro elementos b\u00e1sicos: a terra, o ar, a \u00e1gua e o fogo. Tem quatro ventos (Ver 7:1). O rio que flu\u00eda do para\u00edso terrestre \u2013 o jardim do \u00c9den \u2013 dividia-se em quatro rios (Gen. 2:10-14). As criaturas viventes que representam o mundo criado s\u00e3o quatro (Ap. 4:6). Em Ezequiel, \u00e9-nos dito que os querubins, tem quatro faces: de le\u00e3o, de boi, de homem e de \u00e1guia; e tem tamb\u00e9m quatro asas (cap. 1). A humanidade na terra \u00e9 descrita de quatro formas: povos, multid\u00f5es, na\u00e7\u00f5es e l\u00ednguas (Apoc. 17:15). As condi\u00e7\u00f5es do cora\u00e7\u00e3o do homem, de acordo com a par\u00e1bola do semeador contada por Jesus, s\u00e3o de quatro tipos (Mat 13:3-9; 18-23). As tribula\u00e7\u00f5es que vem como um julgamento sobre o mundo s\u00e3o tamb\u00e9m quatro em n\u00famero: a guerra, a fome, a peste e os terramotos (Mat 24:6,7; Lucas 21). O testemunho de Jesus \u00e9 levado pelos quatro evangelhos, que revelam quatro aspectos de Cristo. No auge do pecado dos homens, os quatro soldados dividiram entre si as vestes de Jesus (Jo\u00e3o 19:23). O altar levantado para os homens tem \u201cquatro cantos\u201d, com quatro pontas (\u00cax 27:1,2). O quarto dos dez mandamentos \u00e9 o primeiro dos restantes, que tocam nas coisas do mundo (\u00caxodo). A quarta cl\u00e1usula na chamada Ora\u00e7\u00e3o do Senhor \u00e9 tamb\u00e9m aquela que come\u00e7a a tratar dos assuntos relacionados com a terra (Mat 6:9-13). As coisas que Deus criou no quarto dia deveriam governar sobre os dias e noites da terra. O quarto livro da B\u00edblia, N\u00fameros, relata a experi\u00eancia no deserto, que \u00e9 um tipo de mundo. Uma vez que 3 representa Deus e os seus atributos, o 4 representa os criados que dependem do Criador.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">As 12 horas nocturnas, meia-noite, representando o mesmo n\u00famero, representam, no entanto, a morte ou a meia-noite da vida.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Hiram Abif passa assim de um plano espiritual para um plano temporal, onde encontra novamente o candidato que, ainda ansioso, procura a Verdade Divina. Deslocando-se lentamente ao redor da sala, e em dire\u00e7\u00e3o ao sol, Hiram Abif, oferece-nos ent\u00e3o um coment\u00e1rio sobre a Morte. Explica-nos que todos os homens s\u00e3o iguais aos olhos de Deus, desde o mais jovem Aprendiz ao rei Salom\u00e3o. Aqui, particularmente, refere, o pavimento quadriculado, lembrando a todos os irm\u00e3os que h\u00e1 muito mal no mundo a ser superado. E que, apesar de construirmos diligentemente, na tentativa de completar o nosso trabalho, podemos ser chamados ao Alt\u00edssimo antes de terminar o que come\u00e7\u00e1mos.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Segunda Sec\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Ouvi-mos um alarme, de novo, o candidato, ansioso, em busca pela verdade divina, disposto a provar o seu valor, bate \u00e0 porta.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Circular em volta do altar durante uma cerim\u00f3nia \u00e9 um dos mais antigos costumes conhecidos pelo homem. Entre as primeiras religi\u00f5es estavam o fogo e o sol. A adora\u00e7\u00e3o do sol no c\u00e9u, realizada simbolicamente pelo culto do fogo em cima de uma pilha de pedras, ter\u00e1 sido um dos primeiros Altares constru\u00eddo pelo Homem. A circula\u00e7\u00e3o \u00e0 volta do altar, seguia o mesmo movimento do Sol, atrav\u00e9s do Sul, de Leste para Oeste.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Os querubins, linhas desenhadas em toda a sala, tornam necess\u00e1rio que o candidato passe por baixo das suas asas estendidas durante os circuitos que executa no templo. Como a Shekinah da Divina Presen\u00e7a morava debaixo das asas dos querubins no propiciat\u00f3rio, parece tamb\u00e9m apropriado que o buscador ap\u00f3s a luz e a Divina Verdade, seja recebido sob as asas estendidas do Querubim, colocando-se sob a prote\u00e7\u00e3o do Poder Divino, que \u00e9 a \u00fanica verdade, e de quem s\u00f3 a verdade pode ser obtida.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Assim como a primeira luz do dia vem do Oriente, assim somos ensinados a olhar para o Oriente para a ilumina\u00e7\u00e3o. Caminhar simboliza, neste sentido, rever\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Altar. Alternando os passos \u00e0 medida que vamos avan\u00e7ando at\u00e9 ao Grau de Mestre Real.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Acredita-se que neste grau existe uma alus\u00e3o ao caminho do sol, que atravessa o Hemisf\u00e9rio Norte e Sul, entre os dois signos do Zod\u00edaco, Capric\u00f3rnio e C\u00e2ncer, num movimento de zigue-zague. Quando os dois hemisf\u00e9rios est\u00e3o dispostos ponta a ponta, como duas linhas paralelas sobre os lados, formam um quadrado oblongo ou em forma de Loja. Acredita-se, por isso, que os passos devem ser tomados da mesma maneira, ou seja, em movimento de ziguezague.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">No sinal, Alfa \u00e9 o primeiro, e \u00d3mega, o \u00faltimo. Alpha e \u00d3mega s\u00e3o, deste modo, adoptados como s\u00edmbolo da divindade, inicio e fim de qualquer actividade.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O tri\u00e2ngulo equil\u00e1tero representa os nossos tr\u00eas Gr\u00e3o Mestres. O tri\u00e2ngulo quebrado representa a alegoria da vida. Alguns devem partir, outros devem permanecer e continuar. O tri\u00e2ngulo, segundo alguns simbolistas, representa o homem completo, cuja base representa o f\u00edsico, a linha vertical, o mental, e a hipotenusa, as 22 partes espirituais do homem.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O tri\u00e2ngulo equil\u00e1tero representar\u00e1, deste modo, o homem perfeito quando a base do tri\u00e2ngulo est\u00e1 na parte inferior, com a ponta para cima. Significa isto que, uma vez que o tri\u00e2ngulo equil\u00e1tero tem os mesmos atributos, f\u00edsicos, mentais e espirituais, como o tri\u00e2ngulo ret\u00e2ngulo, exceto que todos os lados s\u00e3o iguais, a mente e o corpo do homem respondem igualmente ao esp\u00edrito e o homem torna-se o homem perfeito. Quando o tri\u00e2ngulo equil\u00e1tero tem a face plana no topo, com a ponta para baixo, ele simboliza a divindade, representando os tr\u00eas lados, a Omnisci\u00eancia, a Omnipresen\u00e7a e a Omnipot\u00eancia. [a J\u00f3ia do Prelado aponta para baixo.]<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O candelabro de sete bra\u00e7os, descrito no Livro do \u00caxodo [cap. 25, v. 31-37], com cerca de cinco metros por tr\u00eas metros e meio de largura, era colocado no lado sul do santu\u00e1rio, oposto ao altar das preposi\u00e7\u00f5es no santu\u00e1rio do Tabern\u00e1culo. No Templo do Rei Salom\u00e3o, este foi substitu\u00eddo por dois casti\u00e7ais de cinco bra\u00e7os, um de cada lado.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Quando o Templo de Zorobabel foi terminado, o candelabro de sete bra\u00e7os foi novamente utilizado. Os casti\u00e7ais eram acesos pelos sacerdotes \u00e0 noite e apagados a cada manh\u00e3.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O sete, n\u00famero sagrado na escritura hebraica, \u00e9 tamb\u00e9m um sinal de algumas datas importantes. O s\u00e9timo dia \u00e9 o dia do Shabath; Salom\u00e3o tinha sete anos na constru\u00e7\u00e3o do templo, havia sete anos sab\u00e1ticos, sete dias constitu\u00edam normalmente os per\u00edodos de festa, e sete representava ainda a completude. O sete \u00e9 ainda um s\u00edmbolo do esp\u00edrito do Senhor e a luz de Seu rosto brilha sobre n\u00f3s atrav\u00e9s de seus olhos, contemplando-nos e incentivando-nos no trabalho nobre e glorioso de ajustar-nos como pedras vivas, para que o edif\u00edcio espiritual, que \u00e9 a nossa eterna morada, possa ser constru\u00eddo. Os pitag\u00f3ricos chamavam ao n\u00famero sete o n\u00famero perfeito, porque era feito de tr\u00eas e quatro, o tri\u00e2ngulo e o quadrado, duas figuras perfeitas.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">No Templo estavam sempre 12 p\u00e3es, sobre a mesa, no santu\u00e1rio [provavelmente representando as doze tribos de Israel]. Era um s\u00edmbolo do p\u00e3o da vida eterna pela qual somos levados para a presen\u00e7a de Deus.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O principal artigo dos m\u00f3veis no Templo de Salom\u00e3o, em Jerusal\u00e9m, era a Arca da Alian\u00e7a [em Ex. 25 : 10 a 22 podemos ler a seguinte descri\u00e7\u00e3o : 2 c\u00f4vados de comprimento \u2013 1,11 m \u2013 e um c\u00f4vado e meio de largura e altura \u2013 66,6 cm]. Estava ornamentada com dois Querubins, onde, entre as asas desses personagens lend\u00e1rios, estava a Shekinah ou nuvem perp\u00e9tua, da qual o Bath Kol era emitido quando consultado pelo Sumo Sacerdote. A Arca, feita por Aholiab e Bezaleel sob o comando de Mois\u00e9s, depois da destrui\u00e7\u00e3o do primeiro Templo, desapareceu, n\u00e3o existindo registo, sobre o que aconteceu com este artigo de mobili\u00e1rio.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O altar do incenso era feito de madeira e revestido a ouro, como era a maioria dos m\u00f3veis do Templo. Nos quatro cantos, chifres, como os do carneiro. No centro, na parte superior do altar de ouro, todas as manh\u00e3s era queimado incenso.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Na mesa dos vasos sagrados estavam potes, p\u00e1s, bacias, ganchos e panelas de fogo, bem como outros utens\u00edlios necess\u00e1rios para os servi\u00e7os do Altar. Estes eram feitos de ouro e de bronze.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Albert G. Mackey, sobre a ab\u00f3bada escreve: &#8221; A Ab\u00f3bada era, ent\u00e3o, nos antigos mist\u00e9rios s\u00edmbolo de sepultura; para a inicia\u00e7\u00e3o era s\u00edmbolo de morte, onde s\u00f3 a Divina Verdade pode ser encontrada. A Ma\u00e7onaria adoptou a mesma ideia. Ensinam que a morte \u00e9 apenas o princ\u00edpio da Vida; que se o primeiro, ou o Templo evanescente da nossa vida transit\u00f3ria est\u00e1 \u00e0 superf\u00edcie, devemos descer \u00e0 ab\u00f3bada secreta da morte antes de encontrarmos a sagrada jazida da Verdade que adorna o nosso segundo Templo da Vida Eterna.&#8221;<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Este ensinamento n\u00e3o \u00e9 invulgar na Ma\u00e7onaria, visto que os requisitos pr\u00e9vios para a inicia\u00e7\u00e3o incluem que se professe a cren\u00e7a em Deus e na vida eterna.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Porqu\u00ea acumular? Se podemos partilhar?<\/strong> (Ex 16,1-36)<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Na travessia do deserto, o povo sente fome, revolta-se e murmura contra o seu l\u00edder Mois\u00e9s (Ex 16,2-3). A fome traz saudades do tempo da escravid\u00e3o no Egito. Apesar do sofrimento por causa da dureza dos trabalhos for\u00e7ados naquele pa\u00eds, muitos queixavam-se dizendo que l\u00e1, pelo menos, tinham comida em abund\u00e2ncia. Ser\u00e1 que, vivendo na condi\u00e7\u00e3o de escravos, as pessoas tinham, realmente, fartura de p\u00e3o e de carne? Deus, por\u00e9m, que ama o seu povo, ouve o clamor dos pobres e oprimidos, e promete fornecer o alimento necess\u00e1rio para a travessia. Por\u00e9m, coloca uma condi\u00e7\u00e3o muito importante: o povo deve aprender a vencer a tenta\u00e7\u00e3o de acumular. (Ex. 16)<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Como \u00e9 narrado este facto?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O povo parte de Elim, um o\u00e1sis onde existia abund\u00e2ncia de \u00e1gua e \u00e1rvores e n\u00e3o faltava comida. No 15\u00ba dia do segundo m\u00eas da caminhada pelo deserto a comida \u00e9 pouca e a fome \u00e9 muita. As queixas e murmura\u00e7\u00f5es contra Mois\u00e9s sucedem-se. Deus promete fazer chover do c\u00e9u, p\u00e3o e carne. Isto ser\u00e1 um teste: poder\u00e3o recolher man\u00e1 para um s\u00f3 dia. Na sexta-feira, dever\u00e3o recolher tamb\u00e9m o necess\u00e1rio para o s\u00e1bado, dia do descanso no qual n\u00e3o se pode trabalhar, nem para preparar o alimento. Mois\u00e9s e Aar\u00e3o levam o recado de Deus ao povo: que cada um recolha apenas o necess\u00e1rio para um dia, para os outros dias Deus prover\u00e1.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Para os que desobedeceram e ca\u00edram na tenta\u00e7\u00e3o de acumular s\u00f3 para si, o man\u00e1 apodreceu. A quem recolheu apenas o suficiente, nada faltou.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>O man\u00e1 e as codornizes<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O que \u00e9 o man\u00e1? O Man\u00e1, em hebraico man h\u00fb, era algo muito comum em alguns dos o\u00e1sis do deserto. H\u00e1 duas explica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Alguns estudiosos da B\u00edblia afirmam que \u00e9 produzido pela secre\u00e7\u00e3o de insetos que se alimentam de uma planta chamada tamarix. Trata-se de uma subst\u00e2ncia branca, doce e fina como geada que, exposta ao ar seco e ao frio, solidifica, mas que derrete e desaparece com o sol e o calor. Outros dizem tratar-se de uma subst\u00e2ncia resinosa e espessa de uma \u00e1rvore da regi\u00e3o central do Sinai, semelhante a uma semente de coentro. Era colhida, mo\u00edda e cozida e com ela se fazia uma comida semelhante ao bolo. Ainda hoje, os bedu\u00ednos, em alguns meses do ano, encontram esta subst\u00e2ncia no deserto e usam-na para fazer p\u00e3o.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Portanto, o man\u00e1 era algo do quotidiano, mas para o povo de Deus, em situa\u00e7\u00e3o de fome e car\u00eancia de tudo, era considerado algo extraordin\u00e1rio e mais um sinal da ac\u00e7\u00e3o da provid\u00eancia divina. A linguagem desta narrativa expressa a f\u00e9 e a emocionada ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as a Deus, ao falar que o man\u00e1 cobre o solo (Ex.16,4.13), quer dizer, \u00e9 abundante; que desce do c\u00e9u, isto \u00e9, o p\u00e3o \u00e9 enviado por Deus; e que sustentou o povo durante 40 anos, isto \u00e9, ao longo de toda a caminhada pelo deserto (Ex.16,35).<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Muito tempo depois, por volta do ano 50 a. C, o escritor do livro da Sabedoria faz uma releitura desse acontecimento em linguagem po\u00e9tica, para reviver e partilhar com as novas gera\u00e7\u00f5es, essa experi\u00eancia do amor gratuito e incondicional de Deus: \u201cAo teu povo, nutriste com o alimento dos anjos, proporcionando-lhe, do c\u00e9u, graciosamente, um p\u00e3o de mil sabores, ao gosto de todos. Este sustento manifestava aos teus filhos a tua do\u00e7ura, pois servia ao desejo de quem o tomava e convertia-se naquilo que cada um queria.\u201d (Sb. 16,20-21).<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">E as codornizes? S\u00e3o p\u00e1ssaros que aparecem em certos per\u00edodos do ano, na pen\u00ednsula do Sinai. Nessa regi\u00e3o, bandos de codornizes, depois de atravessar o mar, chegam ao deserto muito cansadas, e pousam pr\u00f3ximo \u00e0s tendas dos bedu\u00ednos onde s\u00e3o facilmente abatidas em grande quantidade. Depois de muito tempo, o povo faz a releitura deste facto e v\u00ea a\u00ed, a m\u00e3o de Deus, que os conduz e protege com amor e carinho especial.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Contextualizando e aprofundando o texto<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Conquistar a liberdade \u00e9 um processo dif\u00edcil e doloroso. Contudo, nos momentos de car\u00eancia at\u00e9 do indispens\u00e1vel para sobreviver como a comida, o povo exige solu\u00e7\u00f5es imediatas e resiste a pagar o pre\u00e7o pela liberdade t\u00e3o sonhada. Esquecendo a dureza com que foram tratados pelo Fara\u00f3 no Egipto.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>O que se passa na mente e no cora\u00e7\u00e3o deste povo?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\u2018Saudades da escravid\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o com a qual, talvez, j\u00e1 estivessem confort\u00e1veis ou \u2018medo\u2019 da liberdade, cuja conquista causa inseguran\u00e7a, porque exige avan\u00e7ar rumo ao desconhecido?<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Com o man\u00e1, Deus coloca o povo \u00e0 prova. Quer experimentar, observar se observam a sua Lei (Ex. 16,4). Todos os dias, Ele enviava o man\u00e1. Todavia, algumas pessoas, por gan\u00e2ncia e sem pensar nos outros, acumularam demais e n\u00e3o passam no teste (Ex. 16,16. 20).<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>O que aconteceu?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Os vermes comeram o que sobrou. Essa atitude n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com a condi\u00e7\u00e3o de Deus, pois, com certeza, que o que sobrou na casa de uns, faltou na casa de outros.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Vejamos o que diz o texto b\u00edblico sobre o per\u00edodo de escravid\u00e3o no Egipto: \u201cEm todo o pa\u00eds, faltava o p\u00e3o, a fome assolava as terras do Egipto e de Cana\u00e3. Jos\u00e9 (vice-rei) acumulou todo o dinheiro que havia na terra do Egipto e na terra de Cana\u00e3, em troca dos mantimentos que eles compravam e entregou todo o dinheiro no pal\u00e1cio do Fara\u00f3.\u201d (Gn 47, 13-13). O texto continua, afirmando que quando acabou o dinheiro, eles tiveram que entregar, em troca de mantimentos, os seus rebanhos, as suas terras, e por fim entregaram-se a si mesmos como escravos. (Gn 47,15-26)<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">A proposta de leitura desta passagem, abertura do grau de Mestre Real, vai justamente na contra-m\u00e3o do sistema econ\u00f3mico daquele tempo e na contra-m\u00e3o do sistema econ\u00f3mico dos nossos dias.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Na Galileia, no tempo de Jesus, a terra estava nas m\u00e3os de poucos. O povo era reprimido pelo imp\u00e9rio romano e explorado mediante a cobran\u00e7a de altos impostos para o imperador e para o templo de Jerusal\u00e9m. A pobreza e a mis\u00e9ria eram grandes. Muitos viviam preocupados com as necessidades b\u00e1sicas, como a comida e o agasalho. Para garantir a pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia, procuravam, por isso, acumular o que podiam.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">O texto b\u00edblico \u00e9 contundente ao condenar o acumular de bens: \u201cN\u00e3o ajunteis riqueza aqui na terra, onde a tra\u00e7a e a ferrugem corroem, e onde os ladr\u00f5es assaltam e roubam.\u201d (Mt 6,19). E alerta as pessoas, para que n\u00e3o se preocupem tanto com o dia de amanh\u00e3, ou seja, com o futuro, ao ponto de acumular. Aconselha a todos a confiar na provid\u00eancia de Deus Pai, que vela com carinho por todos n\u00f3s, seus filhos e filhas, porque \u201cele sabe do que necessitamos\u201d (Mt 6,32). E manda olhar os p\u00e1ssaros e as flores do campo, que n\u00e3o trabalham, contudo, Deus cuida deles (Mt 6,25-34).<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, acontece o milagre da partilha (Mt 14,15-21; Mc 6,34-44). Somos ensinados a organizar a pr\u00e1tica da partilha, para que nada falte a ningu\u00e9m. Se no mundo houvesse uma justa distribui\u00e7\u00e3o da terra, renda e produ\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria fome e a mesa de todos seria farta.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><!--nextpage--><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Mais adiante, o texto b\u00edblico consagra uma vez mais a partilha do p\u00e3o e denuncia a comunidade que n\u00e3o pratica a partilha (1 Cor 11,17-34). Enquanto houver fome no mundo, todos os dias devemos pedir, p\u00e3o para quem tem fome, um cora\u00e7\u00e3o generoso, e m\u00e3os abertas \u00e0 pr\u00e1tica da solidariedade e da partilha.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Os primeiros crist\u00e3os souberam praticar este ensinamento, conforme a palavra do canto: \u201cOs crist\u00e3os tinham tudo em comum, dividiam os seus bens com alegria. Deus espera que os dons de cada um sejam partilhados com amor no dia-a-dia\u201d (Act. 2,44-45; 4,32-35).<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Confrontando com a realidade actual<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">A hist\u00f3ria do man\u00e1 \u00e9 muito conhecida, por\u00e9m, a sua mensagem, por vezes, passa despercebida, apesar de t\u00e3o actual. O resultado da gan\u00e2ncia e da acumula\u00e7\u00e3o de bens e riquezas resulta na maioria das vezes em pobreza, fome, em mis\u00e9ria e em exclus\u00e3o.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Se hoje as televis\u00f5es anunciassem que na pr\u00f3xima semana iria faltar o p\u00e3o, o leite, o arroz, a massa ou outros alimentos, o que aconteceria?<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">\u00cdamos a correr comprar estes produtos. Acumulando em casa, os produtos em falta, para poder atravessar com tranquilidade o tempo dif\u00edcil que se aproximava. Esta tend\u00eancia de acumular, de juntar sempre mais, parece estar enraizada em n\u00f3s, d\u00e1-nos seguran\u00e7a.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Primeiro, pensamos em n\u00f3s, depois nos outros.<\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Porqu\u00ea este desejo de acumular?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>Qual o vazio que queremos preencher, acumulando dinheiro e bens?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\"><strong>N\u00e3o ser\u00edamos todos mais felizes, se soub\u00e9ssemos partilhar?<\/strong><\/h4>\n<h4 style=\"text-align: left;\">Procurar o Reino Celeste e a justi\u00e7a divina \u00e9 contentar-se com o necess\u00e1rio, ser solid\u00e1rio e partilhar. N\u00e3o colocar a seguran\u00e7a da nossa vida nos bens materiais. Lembre-mo-nos do inicio, quando o Candidato traz na m\u00e3o um belo trabalho, representando uma vida pura e completa, oferecida ao Supremo Arquitecto do Universo, seguido, imediatamente por uma advert\u00eancia para permanecer disposto a enfrentar as contrariedades da pr\u00f3pria vida e que, no devido tempo, receber\u00e1 a sua recompensa. Mas que essa recompensa, simbolizada pela entrada no Nono Arco [o Port\u00e3o da Morte Simb\u00f3lica], vir\u00e1 apenas depois da sua\/nossa vida ter sido conclu\u00edda, ou seja, depois de completar todas as instru\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas da Antiga Arte da Ma\u00e7onaria.<\/h4>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<h4>Bibliografia<\/h4>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Albert G. Mackey ; rev. Donald Campbell, A lexicon of freemasonry : containing a definition of all its communicable terms, notices of its history, traditions, and antiquities, and an account of all the rites and mysteries of the ancient world \/ 3\u00aa ed.- Londres : Charles Griffin and Company, 1867.<br \/>\nB\u00edblia de Jerusal\u00e9m, Lisboa : Editora Paulus, 1998.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Encyclopedia of Freemasonry by Albert G. Mackey : revised and enlarged by Robert I. Clegg with supplemental volume by H. L. Haywood [with illustrations and a descriptive index : in three volumes : including Freemasonry and similar Rites, from Ancient Times to After World War II] \/ Richmond, Virginia : Macoy Publishing and Masonic Suplly Company, Inc., 1966.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Jackson H. Chase, The text book of Cryptic Masonry. A Manual of Instructions in the Degrees of Royal Master, Select Master and Super Excellent Master together with the ceremonies of installing the Officers, Constituting and Dedicating a Council and Installing the officers of a Grand Council \/ New York : Masonic Publishing Company, 1870.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Revised Knight Templarism illustrated : a full and complete illustrated ritual of the six degrees of the Council and Commandery, comprising the degrees of Royal Master, Select Master, Super Excellent Master, Knight of Red Cross, Knight Templar and Knight of Malta : with a sketch of their origin and character \/ Chicago, Illinois : Ezra A. Cook Publications, Inc., 1975.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Simbolism of Freemasonry, The : illustrating and explaining its Science and Philosophy, its Legends, Myths, and Symbols \/ Chicago : The Charles T. Powner Co., 1975.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>In the symbolic degrees, the Companions are confronted with the story of the loss of the Word, they search for it but do not find it. In the Chapter, they search, they find, but they do not understand the meaning of what they have found. 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