O maná e as codornizes
O que é o maná? O Maná, em hebraico man hû, era algo muito comum em alguns dos oásis do deserto. Há duas explicações possíveis. Alguns estudiosos da Bíblia afirmam que é produzido pela secreção de insetos que se alimentam de uma planta chamada tamarix. Trata-se de uma substância branca, doce e fina como geada que, exposta ao ar seco e ao frio, solidifica, mas que derrete e desaparece com o sol e o calor. Outros dizem tratar-se de uma substância resinosa e espessa de uma árvore da região central do Sinai, semelhante a uma semente de coentro. Era colhida, moída e cozida e com ela se fazia uma comida semelhante ao bolo. Ainda hoje, os beduínos, em alguns meses do ano, encontram esta substância no deserto e usam-na para fazer pão.
Portanto, o maná era algo do quotidiano, mas para o povo de Deus, em situação de fome e carência de tudo, era considerado algo extraordinário e mais um sinal da acção da providência divina. A linguagem desta narrativa expressa a fé e a emocionada acção de graças a Deus, ao falar que o maná cobre o solo (Ex.16,4.13), quer dizer, é abundante; que desce do céu, isto é, o pão é enviado por Deus; e que sustentou o povo durante 40 anos, isto é, ao longo de toda a caminhada pelo deserto (Ex.16,35).
Muito tempo depois, por volta do ano 50 a. C, o escritor do livro da Sabedoria faz uma releitura desse acontecimento em linguagem poética, para reviver e partilhar com as novas gerações, essa experiência do amor gratuito e incondicional de Deus: “Ao teu povo, nutriste com o alimento dos anjos, proporcionando-lhe, do céu, graciosamente, um pão de mil sabores, ao gosto de todos. Este sustento manifestava aos teus filhos a tua doçura, pois servia ao desejo de quem o tomava e convertia-se naquilo que cada um queria.” (Sb. 16,20-21).
E as codornizes? São pássaros que aparecem em certos períodos do ano, na península do Sinai. Nessa região, bandos de codornizes, depois de atravessar o mar, chegam ao deserto muito cansadas, e pousam próximo às tendas dos beduínos onde são facilmente abatidas em grande quantidade. Depois de muito tempo, o povo faz a releitura deste facto e vê aí, a mão de Deus, que os conduz e protege com amor e carinho especial.
Contextualizando e aprofundando o texto
Conquistar a liberdade é um processo difícil e doloroso. Contudo, nos momentos de carência até do indispensável para sobreviver como a comida, o povo exige soluções imediatas e resiste a pagar o preço pela liberdade tão sonhada. Esquecendo a dureza com que foram tratados pelo Faraó no Egipto.
O que se passa na mente e no coração deste povo?