Mais adiante, o texto bíblico consagra uma vez mais a partilha do pão e denuncia a comunidade que não pratica a partilha (1 Cor 11,17-34). Enquanto houver fome no mundo, todos os dias devemos pedir, pão para quem tem fome, um coração generoso, e mãos abertas à prática da solidariedade e da partilha.
Os primeiros cristãos souberam praticar este ensinamento, conforme a palavra do canto: “Os cristãos tinham tudo em comum, dividiam os seus bens com alegria. Deus espera que os dons de cada um sejam partilhados com amor no dia-a-dia” (Act. 2,44-45; 4,32-35).
Confrontando com a realidade actual
A história do maná é muito conhecida, porém, a sua mensagem, por vezes, passa despercebida, apesar de tão actual. O resultado da ganância e da acumulação de bens e riquezas resulta na maioria das vezes em pobreza, fome, em miséria e em exclusão.
Se hoje as televisões anunciassem que na próxima semana iria faltar o pão, o leite, o arroz, a massa ou outros alimentos, o que aconteceria?
Íamos a correr comprar estes produtos. Acumulando em casa, os produtos em falta, para poder atravessar com tranquilidade o tempo difícil que se aproximava. Esta tendência de acumular, de juntar sempre mais, parece estar enraizada em nós, dá-nos segurança.
Primeiro, pensamos em nós, depois nos outros.
Porquê este desejo de acumular?
Qual o vazio que queremos preencher, acumulando dinheiro e bens?
Não seríamos todos mais felizes, se soubéssemos partilhar?
Procurar o Reino Celeste e a justiça divina é contentar-se com o necessário, ser solidário e partilhar. Não colocar a segurança da nossa vida nos bens materiais. Lembre-mo-nos do inicio, quando o Candidato traz na mão um belo trabalho, representando uma vida pura e completa, oferecida ao Supremo Arquitecto do Universo, seguido, imediatamente por uma advertência para permanecer disposto a enfrentar as contrariedades da própria vida e que, no devido tempo, receberá a sua recompensa. Mas que essa recompensa, simbolizada pela entrada no Nono Arco [o Portão da Morte Simbólica], virá apenas depois da sua/nossa vida ter sido concluída, ou seja, depois de completar todas as instruções simbólicas da Antiga Arte da Maçonaria.