O Rito da Maçonaria Críptica : percurso atribulado de um itinerário histórico

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O Rito da Maçonaria Críptica : percurso atribulado de um itinerário histórico

Da génese europeia à autonomia americana

De acordo com William James Hughan (1841-1911), a Maçonaria Críptica é trabalhada em Inglaterra desde cerca de 1760, tendo-se entretanto desvanecido, embora tenha continuado, provavelmente, na Escócia sob um ramo do Grande Acampamento dos Cavaleiros Templários, não existindo, a partir dessa data, noticia posterior de nenhum dos graus.

De acordo com a mesma fonte, a existência dos três graus do Rito Críptico não pode ser verificada naquela data, embora todos tenham sido inicialmente trabalhados em Inglaterra e os mais importantes tenham aparecido em Charleston, na Carolina do Sul, o mais tardar cerca de 1783 e, talvez ainda um pouco antes em Albany, no estado de Nova Iorque, enquanto graus laterais do Rito de Perfeição.

A assunção, frequentemente acarinhada, de que os graus de Mestre Real e de Mestre Escolhido estiveram sempre associados é incorrecta, já que este último grau, sob o nome de Maçom Escolhido dos Vinte e Sete, estava contido nos rituais transportados para a América por Etienne Morin, Grande Inspector Geral do Rito de Heredom ou de Perfeição, cerca de 1762, como um grau lateral, ao passo que o de Mestre Real não se encontrava ai incluído e nem sequer mencionado em nenhum registo preservado até uma data bastante posterior.

Todas as tentativas efectuadas para fixar a origem e traçar o curso destes graus, no então, futuro território independente norte-americano, têm sido bastante instáveis, não apenas devido às sucessivas alterações e conflitos jurisdicionais da sua administração e conferência, ou até mesmo à ausência anárquica de autoridade, mas também pela tendência dos especialistas se referirem conjuntamente aos graus, como se eles sempre tivessem constituído um conjunto.

Não só a associação posterior entre os graus e a frequente alusão conjugada a eles como Mestres Reais e Escolhidos conduziu naturalmente alguns autores à suposição anacrónica e inverosímil de a sua relação actual ter sempre existido, assim como estas mesmas referências têm substituído o indispensável exame criterioso dos registos documentais disponíveis quanto à menção específica de um determinado grau, utilizando-se as expressões graus e Rito Críptico para encobrir uma evidente e insolúvel lacuna de definição.

Quanto à sua antiguidade litúrgica nos Estados Unidos da América, Phillip C. Tucker, Grão Mestre da Grande Loja do Estado de Vermont entre 1847 e 1861, e Grande Sumo Sacerdote do Grande Capítulo do Arco Real do mesmo Estado entre 1852 e 1857, afirmou que “em 1766, eles foram conferidos na cidade de Albany”, referindo-se, em particular, ao grau de Mestre Real e ao grau de Mestre Escolhido.

A mesma fonte sublinha ainda a sua importação de França e a sua introdução imediata e primitiva nos Estados de Rhode Island, Massachussets e Maryland, bem como, o facto, de os Grandes Conselhos, os Grandes Capítulos, o Grande Capítulo Geral do Rito de York, as Lojas de Perfeição, os Conselhos ou Capítulos de Soberanos Príncipes ou Cavaleiros Rosa+Cruz e os Supremos Conselhos do Rito Escocês Antigo e Aceite, todos em tempos diferentes, tenham reivindicado autoridade jurisdicional sobre eles.

Uma comissão do Grande Capítulo de Maçons do Arco Real do Estado de Vermont encontrou em 1850 registos documentais demonstrativos da sua conferência naquele território antes da introdução da Maçonaria capitular do Arco Real.

Por outro lado, o historiador maçónico norte-americano Edward T. Schultz [1827-1913], na sua History of Freemasonry in Maryland [Vol. I, p. 344], afirma que “é dito que os graus [de Mestre] Real e [de Mestre] Escolhido foram conferidos por [Henry] Andrew Francken em Albany, em 1769”, apesar de nenhuma prova da sua conferência aí tenha sido descoberta até muito tempo depois daquela data.

Cumprirá aqui esclarecer pontualmente a importância histórica crucial de Henry Andrew Francken (17??-1795), Delegado Inspector Geral, credenciado com cartas patentes em 27 de Agosto de 1761 por Etienne Morin, para a Maçonaria norte-americana, quanto à introdução pioneira do Rito de Heredom no futuro território dos Estados Unidos desde a Jamaica. Andrew Francken, teria conferido os graus laterais, ditos crípticos, a um número de candidatos, que formaram, em 1769, um Consistório de Príncipes do Real Segredo em Kingston, com a sua presença.

Posteriormente, Henry Andrew Francken radicou-se em Nova Iorque, entre 1766 e 1769, nomeando o mercador judeu Moses Michael Hayes (1739-1805), de Boston, Massachussets, Inspector Geral Delegado do Rito de Heredom e criando, em 1767, uma Loja de Perfeição em Albany e talvez um Conselho de Príncipes de Jerusalém, em Charleston, na Carolina do Sul.

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